Chuck Norris vs. Communism
Roménia comunista, anos 80. Isolada culturalmente, censurada ideologicamente; todas as imagens da vida exterior à Cortina de Ferro são cortadas e a televisão é reduzida a algumas horas diárias de boletins de propaganda. Dos cinzentos bairros de habitação em cimento às filas para rações de alimentos, um medo esmagador da vigilância estatal levava a que ninguém saísse da linha. Mas havia uma janela aberta para o mundo exterior, para aqueles que se atreviam a espreitar. Em meados dos anos 80, milhares de filmes de Hollywood foram contrabandeados para o país, através de uma operação bem oleada que cresceu exponencialmente, até alcançar milhões por toda a Roménia. Os filmes eram dobrados por uma corajosa tradutora romena, cuja voz distinta cativava toda uma nação e se tornou um símbolo da liberdade. As histórias destemidas dos heróis de ação, como Chuck Norris e Jean-Claude Van Damme, capturaram a imaginação de todas as crianças, mas foram os cenários e imagens sumptuosas que fascinaram aquele público sem igual. Pela primeira vez, as pessoas viam o que lhes tinha sido negado: supermercados cheios de comida, ornamentos luxuosos, as últimas modas, carros super potentes e, o mais importante, a liberdade.
